Ao contrário do que defende o presidente da Câmara de Lisboa, as juntas de freguesia não devem substituir-se aos centros de saúde em matéria de vacinação.

Devem, sim, trabalhar articuladamente para que nada falhe.
Não devemos perder tempo a criar ferramentas e a inventar burocracias que aumentam a complexidade e reduzem a eficiência.

Os enfermeiros devem ser mobilizados para irem ao encontro dos mais vulneráveis, deslocando-se às suas casas. 

Estas deslocações devem ser em horário pós-laboral e com as devidas horas extraordinárias, mantendo a total operacionalidade dos Centros de Saúde. As Juntas de Freguesia não devem ser usadas para fomentar estruturas paralelas, subalternizando e, mesmo, duplicando os serviços já prestados pelos Centros de Saúde e complicando os registos de vacinação.

O PSD Lisboa vem propor que se usem os veículos usados para o apoio domiciliário no período de confinamento, para fazer esta grande campanha de vacinação, transportando enfermeiros para servirem quem mais precisa. Os casos de necessidade seriam sinalizados em colaboração entre as Juntas e os Centros de Saúde.

Juntas de Freguesia com postos médicos terão, obviamente, a tarefa facilitada na gestão deste processo, tendo, apenas, de gerir disponibilidades. Juntas sem postos médicos poderão, eventualmente, estudar uma solução complementar com as farmácias.

Essas (especialmente as que têm enfermeiros) serão um parceiro útil mas, nunca poderão ser o motor de uma iniciativa destas.

Para simplificar e chegar a mais pessoas, o melhor é perder menos tempo a inventar iniciativas que podem parecer bem nos jornais. Sabemos que Fernando Medina prefere anunciar medidas às Juntas pela comunicação social, do que articular com elas. Não vale a pena elogiar as juntas, para depois as afastar do planeamento, especialmente, quando elas são o cerne da ação.

Não é assim que se gere uma cidade, muito menos quando falamos de vacinação durante uma pandemia.